Da crueldade oriental à sofisticação erótica
"Durante uma sessão de bondage pode acontecer um intercâmbio de papéis: o atado passa a ser aquele que ata e vice-versa. Assim, os amantes agregam um complemento ao jogo de cumplicidades e doces vinganças que se faz quando cada um deles assume o controle da situação".
"As primeiras, amarraduras eróticas documentadas datam de meados do século XIX, quando o Japão começa a abrir-se para o mundo ocidental e sua cultura seduz uma parte das elites européia e norte-americana".
Entre os séculos XVII e XIX, quando a dinastia Tokugawa manteve o país semi-isolado do resto do mundo, as velhas tradições foram recuperadas. A amarradura de cordas deu lugar ao desenvolvimento de uma arte marcial, o hobaku-jutsu. O objetivo era capturar e submeter os ladrões com o uso de cordas. Mas não se tratava nem de armadilhas nem de simples laços, e sim de um complexo código no qual as formas das ataduras — e cada nó — tinham um significado simbólico que se aplicava de acordo com a idade, a profissão e a classe social do delinqüente ou com o crime que ele havia cometido. Quando era pendurado ou amarrado na praça do vilarejo, podia-se saber tudo o que ele havia feito "lendo os nós e o tipo de corda que o subjugava".As primeiras amarraduras eróticas documentadas datam de meados do século XIX, quando o Japão começa a abrir-se para o mundo ocidental e sua cultura seduz uma parte das elites européia e norte-americana. A bondage, então, abandona seu passado violento e se converte numa sugestiva variante erótica, numa doce tortura, deixando de lado o peso das crueldades que lhe davam sentido no passado. Hoje em dia é uma prática consentida entre os amantes, com técnicas e limites claros, que abre um outro caminho para aumentar a intensidade da relação sexual.

